terça-feira, 16 de setembro de 2014

Homenagem a Chico de Assis no Teatro de Arena



Meus caros,
ontem o Teatro de Arena sediou o lançamento dos dois volumes do Teatro Seleto de Chico de Assis. Nada mais justo, nada mais louvável, nada mais merecido.

Todos os luminares do Arena transcenderam o cubículo da Teodoro Bayma: Zé Renato foi para o Teatro Nacional de Comédia e para o Teatro dos Arcos, Guarnieri partiu para a TV e para o Teatro de Ocasião e Boal criou o Teatro do Oprimido.

Chico transcendeu sem sair. Tornou-se corpo e alma do Seminário de Dramaturgia ministrado no próprio Arena. De todos os velhos integrantes e criadores do grupo, ele foi o único que ficou. E seus trabalhos têm dado frutos permanentes. Os dois volumes da Funarte são apanhado oportuno, mas já se faz a necessidade - premente e comentada ontem - de um terceiro volume, e se possível um quarto e um quinto.


Chico e Ary Toledo
O lançamento foi também a reunião de velhos amigos. E não poderia ser de outra forma, sendo Chico um remanescente do Arena, grupo que sempre valorizou as relações humanas, as amizades, as parcerias, o coleguismo. Não tem preço reencontrar meu bom João Ribeiro, ator e professor de teatro, que vi pela última vez em 2005, na palestra de Zé Renato e Eva Wilma no Teatro dos Arcos. David Leroy, como já disse antes, é amigo de sempre, dos teatros da vida. Falei dele há pouco no texto sobre Gurnieri no SESC do Carmo. E para mostrar sua dedicação aos amigos e ao bom teatro, veio do Rio - onde está atualmente em temporada com "Elza e Fred" - somente para prestigiar o grande Chico.


Encontro com esse notável estudioso
de nossa MPB, Zuza Homem de Mello

O prazer só faz aumentar. Paulo Hesse não é só ator que aplaudo há anos e anos, mas soube ontem que foi um dos primeiros professores de João Ribeiro. O talento de Evill Rebouças conheço desde a Sociedade Lítero-Dramática Gastão Tojeiro e foi muito bom rever esse querido amigo. Outro que citei no texto sobre Guarnieri, e que tive o supremo prazer de rever e de abraçar foi o admirável Zuza Homem de Mello. É nosso maior estudioso e autor de obras absolutamente fundamentais sobre MPB. E lá estavam Oswaldo Mendes (prefaciador do livro), Walter Negrão, Mário Masetti, Dulce Muniz, Bebeto Castilho, irmão do saudoso Carlos Castilho, diretor musical do Arena Conta Zumbiem aparição raríssima. Só gente boa.

Ary em "A Criação do Mundo Segundo Ary Toledo", no Arena, em 1966

E o que posso dizer de Ary Toledo? Há anos acalento o desejo de conhecê-lo; fui entretido por seu humor a vida toda e ontem, finalmente, pude abraçá-lo e agradecer por ter trazido mais risos e mais humor para nossas vidas.

Esse humorista fantástico - pouca gente sabe - começou no Arena, em cuja porta bateu, humildemente, pedindo qualquer emprego, apenas para poder fazer parte de tudo aquilo... Ofereceram-lhe o emprego de faxineiro. Ele contaria a história brincando, no futuro, destacando que sua resposta foi: "Ha, ha, haaa... ceito". "Meu primeiro emprego foi bilheteiro, faxineiro e contra-regra do Teatro de Arena", diria ele, tempos depois, acrescentando que sua pobreza era tal que não lhe restava alternativa senão dormir no próprio teatro. Anos tiveram que passar até que ele começasse a construir sua carreira. 

Foi uma noite linda, inesquecível, que, como não podia deixar de ser, se transformou em uma grande homenagem ao Chico. Eis o que disse o mestre hoje, sobre a festa:



Estou pensando que ontem a noite no Teatro de Arena,eu passei por momentos inesquecíveis. Grupos de teatro com peças minhas; amigos, muitos amigos reunidos para festejar meus dois livros de peças teatrais. Eu gostei mais da festa do que de ter que autografar os livros. Mas é impossível não amar ver a nossa obra em livro. Revi gente que não via há tempo, encontrei gente que me conhecia e eu ainda não conhecia. Alguns momentos me emocionaram muito. O Tadeu DiPietro dizendo o monólogo do ator que escrevi para o meu amigo Lima Duarte - que aliás não apareceu - foi algo que se amarrou na minha emoção. Minha ex-aluninha desde pequenininha, a Helena Arida, com o tio dela, o Nabil, dizendo trechos de peças minhas. Ela agora uma mulher bonita mas que para mim sempre será uma criança. Vou ter que escrever isso aqui em capítulos por que não posso esquecer de nada.

Teve gente que chegou um pouco mais tarde e não conseguiu entrar por que o Arena esteve mesmo lotado. Diria que abarrotado. Graças ao bom Deus. Mas pra quem não foi e quem não conseguiu entrar vai haver outra noite de autógrafos no Clube Paulistano, no mês de outubro. Eu aviso. Senti falta de gente que não foi mas preciso saber por que não foram, para poder mandar meus anátemas. Enfim foi a noite das minhas noites!

Chico é duplamente um mestre. Mestre dramaturgo e, como muito bem observou sua aluna Eliana Iglesias, um mestre da vida.

Abaixo, o memorável agradecimento de Chico:

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