segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Jânio - Vida e Morte do Homem da Renúncia - Vol. 1 - "Um Moço Bem Velhinho"

A Biografia Definitiva de Jânio - Parte II
 
A biografia de Jânio era uma imposição da bibliografia política brasileira. Logo atrás de Getúlio, o mato-grossense foi o presidente sobre quem mais se escreveu, só que enquanto o primeiro tem sido objeto dos mais variados esboços biográficos, os livros acerca de Jânio carecem de valor documental e histórico. Poderíamos, aliás, passar horas analisando como são poucos os verdadeiros estudos de valor acerca de nossos presidentes, e as razões para que se cuide com tal desmazelo a vida desses grandes políticos. Desde aqueles que foram tema de apologias, como Wenceslau e JK, passando por outros pesquisados apenas por seus parentes – Hermes e Epitácio – recebendo, portanto, a absolvição sumária de seus pecados, até chegarmos ao aspecto mais doloroso: os presidentes que não têm até hoje suas vidas em letra de fôrma porque os autores não encontraram ressonância junto ao governo ou às editoras – comerciais e estatais – para o lançamento de seus projetos.

São célebres os casos de Dutra, que teve o primeiro volume de sua biografia (Marechal Eurico Gaspar Dutra – O Dever da Verdade. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983, organizado por dois genros de Dutra, Mauro Renault Leite e Novelli Jr., a partir de memórias deixadas pelo próprio ex-presidente) publicado com o patrocínio do Exército, e o volume conclusivo engavetado para sempre quando o Exército encerrou o patrocínio; e o de Washington Luís, cuja biografia (Washington Luís – 1869/1924. São Paulo, Imprensa Oficial, 1994 e Washington Luís – 1925/1930. São Paulo, Imprensa Oficial, 2002) não está completa porque a Imprensa Oficial de São Paulo não se digna a publicar de uma vez o terceiro e último volume do monumental esforço de Célio Debes, terminado há mais de dois anos. Nos Estados Unidos, praticamente todos os presidentes foram objeto de pelo menos quatro ou cinco biografias extensas, e isso quando não lançaram seus próprios livros de memórias, outro costume que não nos alcançou, infelizmente.


No Brasil é raro encontrar investigações biográficas sobre qualquer presidente, e não causa espécie que venham com atraso exemplar, caso de Afonso Pena, cuja vida só foi contada em detalhes no belo trabalho de Américo Lacombe (Afonso Pena e sua época. Rio de Janeiro, José Olympio, 1986), publicado quase 80 anos após a morte do velho Conselheiro.

Neste momento falemos somente de Jânio. Ao contrário do que se imagina, o ex-presidente até hoje não recebeu uma biografia. A pobreza de títulos referentes aos nossos presidentes (bem como a governadores e prefeitos) e os trabalhos de pesquisa meramente jornalística, sem aprofundamento histórico deram margem à confusão entre biografia e “perfil biográfico”. O primeiro gênero é de pesquisa metódica, criteriosa, técnica, longa, que vai da centena de depoentes até o exame de documentos, jornais e livros. Divide-se a vida do biografado nas diferentes etapas de sua existência e de suas atividades políticas e parte-se para o detalhamento de cada uma delas. Foi o que Raimundo Magalhães fez com Deodoro, o que Afonso Arinos fez com Rodrigues Alves e o que Silveira Peixoto e Barreto do Amaral fizeram com Prudente de Moraes, entre poucos outros.


O segundo gênero é um resumo da vida do biografado. É uma condensação de momentos marcantes, uma coleção de manchetes, um clipping. É o que Cyro Silva fez com Floriano, o que Celso Peçanha fez com Nilo Peçanha (primo de seu pai), o que Paulo Amora fez com Bernardes e o que três autores, especificamente, fizeram com Jânio. Vera Chaia (A Liderança Política de Jânio Quadros (1947-1990). Ibitinga, Humanidades, 1991) realizou um bom trabalho mas concentrou-se nos cargos políticos e não varejou a vida pessoal. Ricardo Arnt (Jânio Quadros – O Prometeu de Vila Maria. Rio de Janeiro, Ediouro, 2004) foi menos acadêmico mas manteve-se na superfície. E Gabriel Kwak (O Trevo e a Vassoura – Os destinos de Jânio Quadros e Adhemar de Barros. São Paulo, A Girafa, 2006) traçou os perfis de Jânio e Adhemar, contando com alguns depoimentos bastante valiosos. O que temos, além desses títulos, são dezenas de livros que se fixam na presidência, na renúncia, nos bilhetes, nas campanhas ou num leque que vai do encômio à objurgatória, ridicularizando, incensando, dando vazão a admirações incontidas ou às desforras pessoais. Alguns, malgrado a parcialidade, trazem fatos que elucidam uma ou outra passagem da vida de Jânio; outros são mera picaretagem. Em geral, nenhum deles acrescenta algo novo àquilo que já se cristalizou na mente do povo em relação ao “homem da vassoura”. Este é o primeiro grande problema:

1 – Todos os livros a respeito de Jânio utilizam a mesma fonte para sua gênese: os trabalhos pioneiros de Viriato de Castro (O Fenômeno Jânio Quadros. São Paulo, edição do autor, 1957/59), de José Yamashiro (Jânio – Vida e carreira política do presidente. Porto Alegre, Livraria Lima, 1961) e de Castilho Cabral (Tempos de Jânio e outros tempos. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1962). São favoráveis a Jânio, de uma forma ou de outra, mas abriram a picada. Yamashiro estudou a infância (no que contou com a ajuda do jornalista Milton Cavalcanti) e conhecia Jânio desde que trabalhou como tradutor juramentado em seu escritório de advocacia. Viriato resenhou a vida acadêmica e os cargos públicos da vereança à eleição presidencial, com o adendo valioso de ter entrevistado os pais de Jânio. E Castilho, por fim, faz um relato rico e envolvente de suas experiências no primeiro escalão janista de 54 a 62. Embora sejam bons trabalhos, cada um à sua maneira, estão completamente datados, desatualizados, e mesmo assim acabaram por estabelecer uma espécie de teto para o que se conta sobre os primeiros 45 anos do ex-presidente. Com efeito, os pesquisadores e jornalistas que vieram depois não se deram ao trabalho de verificar e expandir as fontes primárias – cuidadosamente deixadas no esquecimento por Viriato, Yamashiro e Castilho, para não descortinarem tragédias familiares e demais questões controversas que poderiam prejudicar Jânio – e não ultrapassaram jamais aquilo que foi originalmente pesquisado e divulgado pelos três, no período que vai de 1917 a 1962.

2 – Como conseqüência, pode-se dizer com segurança que a vida de Jânio era – até agora – desconhecida. Tínhamos duas pesquisas relativamente pasteurizadas e feitas para enaltecer o ex-presidente, e as memórias de um correligionário devotado. Nada sobre a família Quadros, nada sobre a família Silvano da Silva (mãe de Jânio), nada sobre as múltiplas atividades acadêmicas e políticas de Gabriel Quadros (pai de Jânio) ou seu envolvimento com o MMDC, nada sobre o parentesco torto com o governador paranaense Affonso Camargo, nada sobre a irmã de Jânio, e – o que mais impressiona – nada sobre o assassinato de nada menos que três de seus tios, começando com Janguito em 1926, passando por Marcílio em 1932 e terminando com Miguel, em 1937, no mesmo dia em que foi decretado o Estado Novo. Ignorar o tio Miguel, como ocorreu até hoje, é ignorar a pessoa que incutiu em Jânio o gérmen da advocacia – Miguel foi um dos mais proeminentes e beneméritos advogados de Ponta Grossa e de todo o Paraná – e o gérmen da política – o tio de Jânio foi correligionário de Ruy Barbosa na campanha civilista e fazia parte do PR paranaense. Outra pessoa de importância fulcral e que não mereceu até hoje uma única linha de reconhecimento, na formação pública de Jânio, é José Adriano Marrey Jr. Tal se deve não só ao fato de que a extraordinária vida legislativa de Jânio não foi jamais perscrutada por quem quer que seja (e que será também finalmente contada em minúcias e centenas de fatos inéditos no segundo volume desta biografia), mas à triste constatação de que quem se debruçou sobre a vida do ex-presidente deixou passar pistas preciosas, como aquela dada por Miguel Reale em suas Memórias (São Paulo, Saraiva, 1986), quando fala sobre o fato de Jânio ter feito parte do Conselho Consultivo do Partido Popular Sindicalista – também citado por Aureliano Leite ainda na década de 60, em suas memórias (Páginas de uma longa vida. São Paulo, Martins, 1966) – ponta do fio de um novelo indispensável para que se historie todo esse período. Com isso entramos no terceiro grande problema:

3 – É notável a falta de atenção de alguns dos biógrafos de Jânio: há centenas de exemplos, a começar pelo que se viu acima, do PPS de Marrey e Miguel Reale. O mesmo, aliás, se pode dizer de todas as primeiras filiações partidárias de Jânio, sobre as quais reina a mais acachapante confusão. Seguindo a memória lamentavelmente embotada de Vianna de Moraes, Vera Chaia colocou em seu livro que Moraes “e outros companheiros, entre os quais Jânio Quadros, organizaram o diretório distrital da UDN no bairro de Vila Mariana”. Errado. Jânio e Vianna não organizaram coisa alguma, muito menos o diretório da UDN em Vila Mariana, seção das mais prestigiosas em todo o município, e reduto histórico e tradicional, desde a época do Partido Democrático, nos anos 20, do historiador e político Aureliano Leite. Ricardo Arnt elabora sobre o erro e declara que “embora fosse membro do diretório da UDN, Jânio procurou a legenda do Partido Democrata Cristão”. Errado três vezes. Jânio não era membro do diretório; sua filiação era informal e durou semanas; não foi da UDN para o PDC e sim para o PPS, acompanhando Marrey (rejeitado pela UDN) e também não “procurou” nada; foi cooptado por um membro do diretório paulista do PDC, que o convidou a concorrer à Câmara. Gabriel Kwak refunde o erro dos dois primeiros e inverte as datas. Diz, referindo-se a Jânio, que “o jovem professor começou a freqüentar as reuniões de um certo Partido Popular Sindicalista, de cujo Conselho Consultivo fez parte. A obscura organização, entretanto, teve vida curta. Depois se aproximou do diretório da UDN do bairro de Vila Mariana”. Errado duas vezes. O PPS não tinha nada de obscuro, foi fundado por dois dos políticos mais respeitados de São Paulo e elegeu um senador e quatro deputados federais nas eleições de dezembro de 1945, o melhor resultado entre as pequenas agremiações partidárias. E, como já se viu, Jânio não foi do PPS para a UDN, e sim o contrário.

Gabriel Quadros, o pai de Jânio
Basta dizer, relativamente aos erros, que o livro de José Yamashiro mapeia quase à perfeição a vida escolar do ex-presidente, no Paraná e em São Paulo, detalhando de forma concreta e didática a passagem dele e de sua família pelas cidades de Bauru, Garça, Cândido Mota e Lorena, que o autor visitou e onde fez inestimável levantamento de dados. Em livros posteriores, não obstante – inclusive aqueles que trazem a pesquisa de Yamashiro em suas bibliografias – esses interregnos no interior paulista são contados de forma completamente equivocada. Kwak diz que após a fuga do Paraná, Gabriel “transferiu-se com a família para Lorena, no interior do Estado. De lá, os Quadros foram para Bauru, Garça e Cândido Mota, até voltarem a São Paulo”, ignorando que tais mudanças não ocorreram nunca ao mesmo tempo e se espaçaram entre o fim de 1926 e meados de 1932. Arnt diz que “as mudanças profissionais do pai médico induziram-no a cursar o primário em Lorena, São Paulo, e a completá-lo em Curitiba, onde iniciou os estudos secundários com os maristas do Instituto Santa Maria”, absurdo total e completo, sem qualquer base documental e que equivale a dizer que Jânio teria iniciado seus estudos secundários aos 8 anos.

Autor mais antigo houve, em livrinho de ódio a Jânio, que afirmou não ter ele jamais se definido “claramente” em relação a Getúlio. Tal baboseira só se explicaria pela preguiça ostensiva de pesquisar com seriedade. O pai de Jânio não só era ligado profissional e pessoalmente à oligarquia política paranaense, como chegou a ser até preso quando estourou o golpe de 1930; a suspeita do assassinato de Miguel Quadros recaiu sobre Manoel Ribas, cupincha de Getúlio no Paraná durantes os 15 anos de ditadura; nos primeiros anos de sua carreira política, na Câmara, Jânio fez críticas duríssimas a Vargas e os ataques só terminaram quando o ditador convidou o jovem vereador para uma visita à São Borja, que ocorreu no início de 1950. A partir daí Jânio parou com as críticas que envolvessem o nome de Getúlio, por quem passou a ter simpatia, mas não poupou ou defendeu em nenhum momento as atrocidades do Estado Novo. E consumado o suicídio os comentários de Jânio, como de 90% dos maiores detratores de Getúlio, passaram a vir recheados de comiseração e piedade pelo gesto extremo. Eis uma análise rápida de Jânio, o homem, e de sua opinião a respeito do ditador. Mas o autor referido, em sua parcialidade e em sua perene superficialidade, baseou suas declarações nas conflitantes filiações partidárias de Jânio. Erro infantil. Uma coisa é analisar a incoerência, o oportunismo e o desprezo do mato-grossense pelos partidos, e outra bem diferente é analisar o que ele de fato pensava em relação a Vargas.

Outro caso emblemático é a idiotice de que Jânio só conseguiu uma suplência para vereador em sua primeira eleição, o que não é dito por nenhum dos três autores pioneiros. Viriato de Castro afirma textualmente que o mato-grossense “foi eleito vereador, obtendo 1.707 votos. Foi um dos últimos. Quase que não consegue votação necessária. Mais de 40 vereadores tiveram maior votação que ele”. Está absolutamente correto, essa foi a votação exata e Jânio realmente foi o 41° mais votado, numa Câmara de 45 vereadores. O erro, porém, é perpetrado pelos três autores contemporâneos que escreveram os perfis de Jânio. Ao invés de uma checagem corriqueira a qualquer jornal da época, ou, melhor ainda, às declarações do próprio Jânio sobre o assunto no Pasquim, em 1977 (leitura obrigatória para o mais diletante dos pesquisadores), os biógrafos posteriores preferiram confiar em um erro grosseiro disseminado por jornais na década de 70 e pela retentiva duvidosa de um ou outro entrevistado. Isso começa, por sinal, na incapacidade desses autores de compreender dois momentos específicos:

1 – Liquidada a ditadura getulista em outubro de 1945, houve uma eleição no dia 2 de dezembro desse mesmo ano, para a presidência e para as duas casas do legislativo federal. O ano seguinte foi tomado pela elaboração e promulgação da nova carta constitucional. Em 1947 houve duas eleições diferentes. A primeira, em 19 de janeiro, para governador e assembléia legislativa, na qual os paulistas elegeram Adhemar. A segunda, em 9 de novembro, para vice-governador, prefeitos e Câmaras Municipais, na qual Jânio assomou à Câmara. Ricardo Arnt ilustra bem essa desorientação quando afirma não apenas que Jânio não se elegeu, mas que se tornou vereador “na mesma eleição” que Adhemar.

2 – Há uma confusão tenebrosa entre: a) A cassação do registro do Partido Comunista (maio de 1947) – que impossibilitou o partidão de constituir uma chapa para as eleições municipais de novembro mas não impedia que os parlamentares comunistas eleitos continuassem a exercer os mandatos em suas respectivas casas legislativas; b) A anulação da diplomação dos vereadores e prefeitos comunistas eleitos pelo PST (31 de dezembro de 1947) – que deve ser a cassação a que os escritores querem se referir, embora nada saibam a respeito, e ela nada tenha a ver com Jânio – e c) A cassação efetiva do mandato dos comunistas eleitos em dezembro de 1945 e janeiro de 1947 (a chamada “Lei Ivo D’Aquino”, em 7 de janeiro de 1948), que só ocorreu uma semana depois dos vereadores tomarem posse oficialmente. Dizer, como certo autor, que “em 1947, eleito suplente de vereador pela legenda do Partido Democrata Cristão, assume o mandato devido à cassação dos candidatos do Partido Comunista, então colocados na ilegalidade” é cometer três erros crassos em uma única frase. Jânio não se elegeu para uma suplência, não assumiu seu mandato em 1947 e não chegou à Câmara pela cassação de quem quer que fosse. O que resulta desse tipo de incompetência é que biografar Jânio não consiste apenas em contar sua história, mas em corrigir os inúmeros erros cometidos por escritores desinformados ou desatentos.

Reconstruir a vida de Jânio desde sua “pré-história”, considerando que o próprio não demonstrou interesse maior em perpetuar o que quer que fosse, requeria aquilo que nenhum de seus biógrafos e exegetas fez, de fato: PESQUISA. Pesquisa em livros imparciais e de conteúdo, em jornais diferentes das mais variadas épocas, em arquivos e documentos até hoje ignorados ou relegados ao descaso pela dificuldade de acesso. Não a pesquisa em livros exaustivamente citados, não a pesquisa em jornais ou revistas atuais, que trazem resumos apinhados de equívocos e interpretações pessoais ou subjetivas, e não a pesquisa com teóricos que têm sempre na ponta da língua o script do materialismo histórico ou dialético para explicar qualquer coisa. Contar a história de Jânio é contar a história de um personagem e sua época, e não a história de uma época e seu personagem. Jânio não é produto sociológico de seu tempo; é produto da família disfuncional que o gerou e o educou. Sua formação intelectual e suas inclinações políticas não são fruto do período em que viveu, e sim da mentalidade individual de qualquer ser humano determinado e de personalidade forte. Ao contrário de Getúlio, frio e abúlico, que chegou ao governo do Rio Grande por indicação, liderou a Aliança Liberal por exclusão e assomou à presidência por uma quartelada que ele assistiu de camarote, Jânio fez seu destino sozinho, e o teria feito qualquer que fosse a época. Seu populismo é atemporal. Enfim, conhecer a vida de Jânio é pesquisar sua vida, as pessoas com quem ele conviveu dentro e fora da política e não as causas, conseqüências e implicações sociológicas do período em que viveu. É pesquisar as atitudes paradoxais, aparentemente inexplicáveis, mas, ainda mais, o que o levou a tais atitudes. É sua personalidade que precisava ser esquadrinhada. E sem pesquisa, e sem a palavra viva de seus contemporâneos, isso não teria sido possível. Diria mesmo que o trabalho teria ficado irremediavelmente incompleto sem uma série longa e significativa de depoimentos.
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Jânio - Vida e Morte do Homem da Renúncia
Vol I: "Um Moço Bem Velhinho"
Bernardo Schmidt
Editora O Patativa
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